quarta-feira, janeiro 10, 2007

"Ora, direis, ouvir estrelas!..." (Bilac)

Existem várias histórias de amor escritas no céu. Esta é uma delas. Ontem à
noite, olhando para o céu encontrei os personagens. Depois de milhões de
anos ainda estão lá, testemunhos da eternidade do amor, do jogo de sedução!
Este poema é o meu jeito de contar a história.


Amor em Órion

Tuas flechas, Arqueiro, sondam o céu.
Teu alvo sempre o mesmo: Aldebarã,
a mais formosa das fulvas estrelas.
Colecionador de astros e falenas,
não cobiças nenhuma.
Miras a Fulva apenas...
Aldebarã é sonho e sol,
filha do céu e da aurora,
brilho instigante para teu olhar de predador.
Há quanto tempo fixas o mesmo ponto, Arqueiro?
E a estrela, alvo sedutor, brinca de esconde, pisca...
Olha de frente a seta, ri
das mãos que entesam o arco
e, pulsante de desejo, desafia o Caçador:
- Atira, Sírius! diz a Ruiva em brilho terno.
Se me acertares, explodirei
amor e luz no céu;
mas se errares - juro por mim! -
o brilho de uma estrela inacessível
será sempre o teu inferno.

Marisa

*

AMOR RITUAL

Que haja sempre magia em nosso amor:
que nosso quarto seja sempre,
e onde for, um templo
e nosso encontro um ritual.
Que nossos beijos sejam sempre
apaixonados
e o calor do desejo em nossos corpos
tão sagrado
quanto o fogo que alimenta nossas vidas
fundidas na emoção.
Que o teu olhar reflita eternamente
a luz do meu olhar
e em meu coração ecoe para sempre
o teu pulsar.
Que sempre, depois de consumado o rito
e entrelaçados trocamos carinhos
com calma,
sejam os nossos braços aconchegante ninho
onde repousam, felizes,
as nossas almas.


Marisa